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12 de junho de 2011

Fecho



Na despedida do Fecho, uma crónica da autoria de Alexandre Pais, retirada do Correio da Manhã.


Uma Noite em Combate

A RTP 1 venceu a noite eleitoral por não se ter limitado a escolher um painel de comentadores e esperar que pudessem superar os da concorrência, antes partiu para a estrada mais cedo – o enfoque na provável subida da abstenção preencheu bem um tempo ‘morto’ – e com isso obteve a liderança nas audiências.

Confirmou-se desse modo a importância da actualidade e da notícia sobre a simples formação de opinião, e o painel da estação oficial, composto por analistas credíveis – com excepção da senhora que trocou a razão pela paixão e para a qual já não há paciência –, conseguiu ser o mais ouvido.

Não foi coisa pouca, tendo em conta que do outro lado estavam os favoritos à vitória: Marcelo R. Sousa e António Vitorino na TVI, Ricardo Costa e Miguel S. Tavares na SIC. E a estação de Balsemão jogou também o trunfo António Costa, o homem que todos querem escutar por nele pressentirem o grande adversário de Passos Coelho a médio prazo.

Certo é que nada chegou para bater a estratégia de Nuno Santos, que logrou ainda colocar a cereja no topo do bolo ao assegurar a participação de José Eduardo Moniz, um comentador cuja qualidade não permite que se mude de canal. E foi assim: a RTP voltou a ser o nº 1.

11 de junho de 2011

Fecho



Boa noite. Fechamos esta sexta-feira com mais uma crónica de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Publicidade gratuita?

Aquilo que os franceses fazem não deve, se calhar, interessar-nos senão na estrita medida em que venha a influenciar o que os portugueses acabam por fazer. Infelizmente - e este "infelizmente" é ponderado -, Paris continua a exercer uma influência significativa sobre muitos dos nossos intelectuais e dos nossos decisores, que a vêem muitas vezes como a pátria da bem-aventurança. Daí que me preocupe esta decisão do Conselho Superior de Audiovisual de França proibindo o uso das palavras "Facebook" e "Twitter" na televisão, de forma a evitar a "publicidade gratuita".

Confronto-me com esta realidade sempre que, por exemplo, passo pelos Açores, onde os jornalistas da TV e da rádio públicas passam a vida a fintar, de forma aliás bastante cómica, as marcas comerciais, referindo-se a "uma fábrica micaelense de charutos", "uma unidade hoteleira de Angra" ou "uma cooperativa queijeira da ilha de São Jorge". Parece que voltei atrás no tempo - isto é, ao pior que esse tempo tinha, incluindo a hipocrisia e a dissimulação -, mas não ligo: a província é dada a idiossincrasias desta natureza. Coisa diferente é, necessariamente, a informação nacional, onde a hipocrisia é mais bem disfarçada, mas existe - e, aliás, pode ganhar uma nova legitimidade com esta decisão francesa.

As marcas comerciais são personagens da vida quotidiana. Têm tanto direito a existir como as pessoas e os lugares, muitas vezes estes (e estas) de vocação tão comercial como elas. Porque é que um escritor que vende os seus livros pode publicitá-los gratuitamente na televisão e um tipo que vende batatas fritas ou chapéus-de-chuva não pode? Eis o que nunca alguém foi capaz de explicar-me.

10 de junho de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta quinta-feira com mais uma crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.


Competência e experiência

1. Catarina Furtado está em grande estilo em Quem Tramou Peter Pan, um programa para toda a família que a RTP1 exibe aos sábados à noite. Não se pode dizer que o formato seja original. Nem a própria Catarina é virgem na condução deste tipo de emissões em que se deixa à solta a língua das crianças. Em 1999, na SIC, foi o rosto de Pequenos e Terríveis, tendo repetido a experiência em 2005, já na RTP1, com Pequenos em Grande. Mesmo sendo mais do mesmo, com algumas modificações, o programa prende ao pequeno ecrã e é puro entretenimento transversal a todas as idades. Com grande capacidade comunicativa, e com a ternura que a maternidade reforçou em si, Catarina Furtado é a apresentadora certa para este tipo de formatos. Não faz das crianças tontas, preferindo juntar-se a elas e tornar-se natural. É essa a melhor forma para estar em TV.

2. A insistência de Manuel Luís Goucha nas suas entrevistas dominicais na TVI24 não é um mero capricho do apresentador. Goucha é popular e o rei das manhãs televisivas, naquele estilo histriónico e terrivelmente eficaz que se reconhece e que faz dele um dos mais competentes profissionais da televisão portuguesa. Podia limitar-se a isso. A popularidade que já granjeou, o estatuto que já conquistou e até, seguramente, o dinheiro que já ganhou podiam mantê-lo na sua zona de conforto. Seria natural. Mas Goucha quer mais. Quer desenvolver o seu lado de conversador, quer mostrar que consegue mais. Em De Homem para Homem surpreendeu. Em Mulheres da Minha Vida confirmou a surpresa. Em Controversos tem assinado algumas das melhores entrevistas intimistas da TV. Um acto de coragem. Ainda por cima bem feito.

9 de junho de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta quarta-feira com a habitual crónica de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Ainda sobre as eleições

1. Independentemente dos meios tecnológicos e da espectacularidade da realização escolhidos por cada estação, a vitória da RTP nas audiências da noite eleitoral tem uma leitura inevitável: quando se trata das matérias que entendem como as mais sérias, nomeadamente aquelas que colocam em jogo o nosso destino comum (as eleições, a selecção), os portugueses preferem a companheira de mais de 50 anos.

A cobertura dedicada pela RTP ao sufrágio de domingo sobreviveu mesmo a um José Rodrigues dos Santos rouco e, portanto, com a voz ainda mais esganiçada do que é costume.

Um património - e um património de tal forma inexpugnável que nem a presença de Miguel Sousa Tavares na SIC ou da dupla José Alberto Carvalho/Judite de Sousa na TVI conseguiu combater.

2. Sócrates sabia que ia perder as eleições e apostou tudo nos seus últimos "quinze minutos de fama". Resultado: jogou bem com as emoções, semeando agora para colher mais tarde.

Surpreendente será, depois do discurso de domingo, se, dentro de dois anos, quando se começarem a discutir os presidenciáveis, o seu nome não vier à baila a par dos de Guterres, Durão e Marcelo. Seis anos a praticar a empatia com as câmaras e a leitura do teleponto tinham de dar os seus frutos.
3. RTP, SIC, TVI, RTP N, SIC Notícias e TVI24 - houve momentos, no último domingo, em que todos os seis canais passavam publicidade ao mesmo tempo. Mais ainda do que é costume, este ciclo eleitoral foi um bom negócio para a televisão.

Agora, e com o futebol parado e o próprio Passos Coelho respirando fundo antes de enfrentar o cumprimento do exigente acordo com a troika, vai ser preciso um milagre para as estações manterem a facturação do último mês.

8 de junho de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta terça-feira com a crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias e a sua análise à noite eleitoral televisiva.

O melhor dos mundos

E Portugal votou. Do que eu tenho pena mesmo é que, no meio de tanta tecnologia, de tanta inovação, de tanta box interactiva, de tanta promessa de televisão a la carte, não seja ainda possível compor um menu eleitoral na televisão. Uma espécie de ementa personalizada ou de círculos uninominais, em que cada espectador escolhe o jornalista de que mais gosta, o cenário que é mais bonito, os comentadores mais eficazes, os números mais claros, as sondagens mais certeiras. Isso, sim, seria perfeito.

Perante tal impossibilidade, fiz da RTP1 a minha emissão residente, como agora se diz. Bem montada, muito bem executada, a estação pública fez a mais completa cobertura do momento eleitoral. Começou mais cedo, acabou mais tarde, foi mais completa, foi mais espectacular. Ainda assim, nos espaços mortos, lá fui saltando para a TVI e para a SIC. E sempre que mudava, encontrava coisas que me agradavam.

O que eu gostava mesmo era de juntar as três numa só. O cenário da emissão da SIC, na sede do Expresso, em Paço de Arcos, era o ideal.

Depois juntava José Rodrigues dos Santos (em grande forma!) e o José Alberto Carvalho (igual a si próprio), com o José Eduardo Moniz a fazer de barómetro (boa malha de Nuno Santos!). Mantinha o João Adelino Faria, mas mandava--lhe o Ipad às malvas.

No painel da RTP, tirava a Maria João Avillez e substituía-a por Ricardo Costa (SIC). Ainda fazia um painel de senadores, com António Vitorino e Marcelo Rebelo de Sousa, moderado por Judite Sousa (TVI).
Por fim, juntava o Governo Sombra, da TSF, e o Eixo do Mal, da SIC, numa edição especial e terminava com a retransmissão dos oito debates seguidos de Rui Marques, para percebermos como é que, mesmo assim, o MEP teve o resultado que teve...

7 de junho de 2011

Fecho


Fechamos esta segunda-feira com mais uma crónica de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Ponto de situação

1. A forma como o processo eleitoral desfilou na televisão, e apesar da excepcionalidade do momento, foi grosso modo igual a sempre, sem imaginação por parte dos jornalistas e sem rasgo por parte dos políticos. Novidade, mesmo, só a imposição, pelo tribunal, de debates com os pequenos partidos. Com que utilidade? Nenhuma. Deixem-me ser claro quanto a isto: nenhuma, a não ser evidenciar que se trata de uma realidade folclórica, com legitimidade eleitoral mas nenhuma razão para ser imposta à TV.

2. Ou muito me engano ou a tragédia que atingiu a actriz Sónia Brazão vai acabar por transformar-se num meio de referendo ao star system da ficção nacional, incluindo os abismos da sua fama pequenina. Os primeiros sinais já aí estão. Falta confirmar se não será mesmo justificada, essa transformação.

3. A polémica em torno do mais recente teledisco de Rihanna, que acompanha o lançamento nas televisões do single Man Down, é um absurdo. O vídeo, em que uma mulher é violada e vem a executar o seu violador a tiro, é provocador e tem, de facto, uma certa dose de violência. Não mais, porém, do que as mais corriqueiras séries policiais. Será mesmo suposto desprovermos a música pop de tudo o que ainda lhe reste (se resta) de intervenção social?

4. O abandono dos elencos de séries de TV por parte de actores de sucesso quer dizer, normalmente, uma de duas coisas: que o actor cresceu de mais para o seriado ou que, estando este a morrer, começa a cortar o orçamento e já não pode pagar às suas principais estrelas. A saída de Patrick Dempsey de Anatomia de Grey significa o mesmo que a saída de Lisa Edelstein de Dr. House: que Anatomia de Grey morreu. Paz à sua alma.

6 de junho de 2011

Fecho


Fechamos este domingo de eleições com uma crónica do jornalista Alexandre Pais, retirada do Correio da Manhã e que faz o balanço do jornalismo praticado ao longo da duas semanas de campanha eleitoral.

Cada cor sua isenção

Não me lembro de uma campanha eleitoral, como a que agora terminou, em que tenha sido tão visível, na generalidade dos canais, as simpatias e antipatias de quem editou as reportagens, fosse por opção individual ou por ordens superiores. Foi, aliás, fácil perceber como muitos jornalistas deixaram cair o poder que consideram passado e correram a engrossar o que julgam ser os ventos da mudança. Não é um fenómeno novo, a natureza humana é assim.

Vi num canal uma grande manifestação de um partido bater, de forma clara, em entusiasmo e afluência de apoiantes, o desfile de uma força política concorrente, e assisti depois, noutra estação, à demonstração do contrário. Esse "milagre" foi conseguido com o recurso a planos fechados que "reduziram" a multidão e à audição de contra-manifestantes, no caso do real "vencedor". E com imagens seleccionadas de alegria "esfuziante" e declarações de apoio, na reportagem do "derrotado". Os repórteres concluíram os seus trabalhos com palavras que não deixaram dúvidas de que a montagem das peças correspondia ao rigor das intenções.

Moral da história: os jornalistas são pessoas como as outras. E se a isenção é um dever, as excepções fazem parte da regra. É a vida.

4 de junho de 2011

Fecho


Fechamos esta sexta-feira com mais uma crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias. Bom fim de semana!

Coelhos da cartola

1. O programa estava mais ou menos traçado. De um lado, a força tradicional da RTP nas noites eleitorais. Do outro, a TVI, habitualmente forte nestes momentos, este ano com o plus de ter José Alberto Carvalho e Judite Sousa e a dupla António Vitorino-Marcelo Rebelo de Sousa. Ainda havia a SIC como alternativa. Com Ricardo Costa e Miguel Sousa Tavares. Até que Nuno Santos tirou dois coelhos da cartola. Na emissão de domingo, entre outros comentadores, a estação pública terá dois velhos rivais: Emídio Rangel e José Eduardo Moniz. Chapeau! É claro que não se sabe se ambos vão estar juntos, frente a frente ou lado a lado, ou em painéis diferentes, mas, para lá do peso específico de cada um deles, é uma grande jogada de marketing. E Nuno Santos já mostrou como é exímio nesse tabuleiro de xadrez.

2. À hora em que escrevo esta crónica ainda não sei que excitantes audiências terão os debates dos pequeninos (MEP contra todos, à razão de oito frente-a-frente), que RTP1, RTP2, SIC e TVI dividiram irmamente ontem à noite (a saga continua hoje). A decisão, imposta por uma Justiça absoluta e, portanto, cega, pode respeitar todos os cânones jurídicos. O juiz que decidiu pode ser profissionalmente o mais competente dos técnicos, mas, a decisão que as televisões foram obrigadas a acatar, é absurda. Se em Portugal, como noutros países do mundo democrático, concorressem a umas eleições 50 ou 60 partidos e movimentos, como se faria? É fácil perceber os argumentos do MEP e do PCTP (Garcia Pereira acabou por faltar aos debates), mas para ser levada a sério a Justiça tem de ter uma característica fundamental: bom senso. E foi essa que faltou.

3 de junho de 2011

Fecho


Em fecho, esta quinta-feira, mais uma crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.

Futre, 'el actor'

A verdade é esta: há séculos que não via os meus amigos sportinguistas tão contentes. Um deles, reconhecido pelo seu humor, explicava-me um destes dias porquê. "Há muito tempo que não conseguíamos uma vitória destas!" Franzi o sobrolho: estaria ele a falar da vitória em Braga, que garantiu a Couceiro o terceiro lugar no campeonato, há quase um mês? Estaria a falar de Domingos, que finalmente confirmou a sua transferência para Alvalade? Que não, explicou. O seu orgulho não tinha nada a ver com futebol. "Há muito que o meu clube não gerava um talento tão grande", disse-me, apontando para a uma foto de Paulo Futre, ao lado de Bárbara Guimarães, nos Globos de Ouro. Ri e concordei, apesar de ser dos que já deitam Paulo Futre pelos olhos. Por estes dias, aliás, só Futre consegue rivalizar com Sócrates, Passos e companhia. Acende-se a televisão e está Paulo Futre a ser entrevistado, abre-se uma revista e há uma crónica de Paulo Futre. Acede-se a um site e lá está Paulo Futre a posar para uma foto. Só me falta, enfim, chegar a um bar, pedir um Licor Beirão e sair-me o montijense detrás do balcão.

Nunca Paulo Futre, que arrumou as chuteiras há quase década e meia, pensou que pudesse voltar à ribalta mediática. Uma desastrada conferência de imprensa, durante a campanha eleitoral para o Sporting, devolveu-lhe o protagonismo que perdeu quando a sua genial carreira caminhou para o ocaso.

Produto de marketing da nova geração (impulsionado pela televisão mas gerado pelo poder viral das redes sociais), Futre parece que está para ficar. Como o DN revela hoje, acaba de assinar pela SIC, onde vai ser "actor".

A "culpa" é de Dias Ferreira. Nunca um derrotado deu tanto que falar...

2 de junho de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta quarta feira com mais uma crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.

Tudo. Outra vez.

Portugal vai a votos de novo no domingo. De novo. Nos últimos dois anos, os portugueses foram chamados cinco vezes às urnas: em 2009 para as europeias (Junho), para as autárquicas (Setembro) e para as legislativas (Outubro) e em 2011 para as presidenciais (Janeiro) e, de novo, em Junho (para as legislativas). Este, sim, é um número que devia preocupar o FMI. E, portanto, lá estamos uma vez mais na estrada, em animada campanha, ouvindo os mesmos homens do costume esgrimirem as mesmas ideias do costume, com as estações do costume a mandarem para o terreno os repórteres do costume.

Não admira que andemos todos a deitar campanha pelos olhos. Não admira, portanto, que andemos todos fartos de os ouvir. A eles, políticos, mas também a eles, repórteres. Um ângulo novo, uma conversa intimista, uma reportagem de bastidores, um comentário em estúdio, uma sondagem diária, uma noite eleitoral, uma grande operação, uma informação de referência.

Nos últimos dois anos, já ouvimos esta história cinco vezes, já ninguém nos surpreende, já ninguém é capaz de um rasgo de originalidade, já ninguém aguenta. A eles, repórteres, mas também a eles, políticos.

Já não é só a voz que lhes falta. Falta-lhes tudo o resto. Paciência para mais um beijinho, maxilares para tanto sorriso para a foto, vigor para tanto braço no ar, carro para tantos quilómetros na estrada, barriga para tantos jantares-comício, autocarros para tantos militantes que é preciso mobilizar.

Que chegue rápido o fim- -de-semana. Que passe rápido o dia de "reflexão", que venha a correr a "noite mais longa", no domingo. Que venha, enfim, o dia 6. O País precisa de trabalhar. Mas talvez sejam necessárias umas férias...

1 de junho de 2011

Fecho


Fechamos o último dia do mês de Maio com mais uma crónica de Nuno Azinheira,retirada do Diário de Notícias.

Agora sim, foi de ouro!

Não fossem as cadeiras vazias aqui e ali, à medida que a noite ia avançando (a falta de educação dos portugueses é um clássico e não tem emenda), podia dizer-se que a XVI Gala dos Globos de Ouro, que a SIC exibiu domingo à noite, foi perfeita. Desta vez, entre ir ao Coliseu ou ficar confortavelmente em casa a ver a emissão, preferi a opção mais cómoda. E não houve tribo que me fizesse descolar do ecrã. Até as pipocas foram feitas ao intervalo...

Esta foi a melhor gala dos últimos anos. De longe. Bárbara Guimarães esteve magistral. Solta, sensual, divertida, bem disposta, correcta na condução da emissão. A plateia esteve glamorosa, cheia de gente conhecida, talentosa e que soube dignificar a iniciativa única da Caras e da SIC. Os momentos musicais foram bons, os tempos mortos foram poucos, a realização foi ágil e entrosada, os momentos de humor, a cargo da dupla-sensação de Laços de Sangue, de alto nível (apesar de alguns momentos embaraçosos, como os beijos de João Ricardo a Balsemão, ou quando o actor chamou "cangalho" a Lili Caneças, "uma velha a cair aos pedaços"). Até os textos lidos em teleponto tinham este ano mais graça do que nas últimas edições.

Televisivamente, portanto, o programa foi muito eficaz, conseguindo, aliás, uma audiência muito boa, com quase 50% de quota de mercado. Um serão que permitiu à SIC voltar a reconciliar-se consigo própria, numa iniciativa que, apesar de saudáveis tentativas, não tem paralelo em Portugal. Faltam, é verdade, os prémios de televisão, desaparecidos há quase uma década depois dos conflitos com a TVI. É hora de os fazer regressar ao Coliseu. Sem medos, sem ressentimentos, sem jogos sujos. Os Globos ganharão ainda mais credibilidade e respeito, naquela que é verdadeiramente a festa das artes e do talento em Portugal.

31 de maio de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta segunda-feira com a habitual crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias.

Assobiar para o ar

Os responsáveis da TVI bem podem dizer que estão satisfeitos com as audiências da sua ficção. É conversa para jornalista, claro. Não é possível que quem manda na estação não esteja preocupado com a surpreendente e crescente instabilidade da outrora inexpugnável força do canal, que tinha na ficção o seu maior trunfo. A TVI montou a sua hegemonia na última década à custa da sua indústria de novelas. Uma a seguir à outra, sem grande irregularidade, naquilo que foi chamado várias vezes como rolo compressor. Indepen- dentemente da qualidade da história, independentemente da categoria do elenco, já se sabia que qualquer novela da TVI que estreasse... arriscava-se a ganhar.

Os tempos mudaram. Ainda sábado, a estreia de O Amor é um Sonho, uma minissérie de quatro episódios interpretada por Sara Prata e José Carlos Pereira, não foi além dos 26,9% de quota de mercado, correspondentes a 668 mil espectadores. Valores muito fracos para qualquer estreia na TVI e substancialmente abaixo dos 800 mil portugueses que assistiram ao episódio do dia de Laços de Sangue na SIC (32,9% de quota de mercado).

A noite já tinha começado mal, aliás. Anjo Meu, a novela de época de Maria João Mira, que tem Alexandra Lencastre como protagonista, transmitida às 21.30, ou seja, no melhor horário do prime time, não fez mais do que 870 mil espectadores, enquanto Peso Pesado, à mesma hora, chegava quase a um milhão de pessoas.

Dir-se-á que não há nada de anormal nisto tudo: em regime concorrencial, um contendor só joga o que o outro deixa. É verdade, mas o que é verdadeiramente novo neste duelo é que finalmente a TVI não está a jogar sozinha. Isso faz toda a diferença e é impossível encolher os ombros e assobiar para o ar.

30 de maio de 2011

Fecho


Fechamos mais um fim de semana com a habitual crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias.

Aqui há talento

1. Entalada entre Júlia Pinheiro e Pedro Granger, na Casa dos Segredos, Leonor Poeiras não conseguiu brilhar. Agora sozinha, quer em Perdidos na Tribo, quer em Agora é Que Conta, a apresentadora revela-se uma presença cada vez mais segura, cada vez mais forte, cada vez mais madura. Leonor é bonita, é telegénica, tem uma excelente imagem televisiva e uma muito boa capacidade de improvisação, características essenciais para triunfar nessa máquina trituradora que é a televisão. Via-a sexta-feira com atenção no concurso das tardes da TVI, esse erro de casting pensado há um ano pa- ra Fátima Lopes. Como escrevi na altura, e como hoje se percebe, o programa não encaixava em Fátima. É num talk show, como A Tarde É Sua, que Fátima é competente, constituindo-se como uma efectiva mais-valia para a TVI, sobretudo depois da saída de Júlia Pinheiro. Arrumada a casa, com cada coisa no seu lugar", a estação apostou em Leonor Poeiras. Fez bem. Não só rentabilizou o seu maior activo (Fátima), como deu espaço a uma das suas maiores promessas (Leonor). E ou me engano muito, ou Leonor vai tornar-se num caso sério de popularidade. Pode não ser já, pode não ser com aquele formato, mas está a dar passos seguros nessa direcção.

2. Depois de duas semanas às 22.00, com efeitos negativos nas suas audiências, Estado de Graça voltou para o horário logo imediatamente a seguir ao Telejornal, agora já livre dos debates para as Legislativas. E o programa de humor voltou a subir. Ana Bola, Manuel Marques, Maria Rueff, Eduardo Madeira e Joaquim Monchique estão de parabéns. Eles fazem na RTP1 aquele que é, por estes dias, o melhor programa de humor da televisão portuguesa.

29 de maio de 2011

Fecho


Fechamos o Sábado do Televisão-Opinião com mais uma crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.

Lucrar com a dúvida

Ainda ontem dois amigos fizeram-me uma pergunta que reflecte bem a dúvida instalada na cabeça de muitos espectadores em relação à natureza do programa O Último a Sair, na RTP1. Perguntavam-me eles: "Ouve lá, quanto é que a RTP terá gasto naquela casa? É que é uma bruta casa com piscina e tudo", justificaram. Pois, a casa que vemos na televisão não é uma casa, é um estúdio, como se de uma novela se tratasse. Um estúdio mobilado, é certo, com um jardim com piscina a sério, mas não deixa de ser um estúdio. Muito bem feito, por sinal. Tão bem feito, que suscita dúvidas aos espectadores.

A RTP lucra com essas dúvidas. Aliás, a ambiguidade do próprio conceito foi promovida pela televisão pública, numa estratégia bem definida. Que levou, de resto, a que deputados da Assembleia da República, num afã ridículo de fazer a sua prova de vida, tivessem gritado a sua indignação quanto ao facto de a RTP exibir um reality show, quando confrontados por um jornal diário enganado e apressado.

E o que é certo é que O Último a Sair é um bocadinho como a Coca-Cola: primeiro estranha-se, depois entranha-se. Parte de uma observação inteligente dos tipos de personagens que a eles concorrem, das lógicas discursivas de quem se fecha na casa, dos tiques e estratégias de quem os apresenta (seja Júlia Pinheiro, seja Teresa Guilherme, cujos nomes vão sendo mencionados, alternadamente, no programa de humor da RTP). Miguel Guilherme está óptimo no papel de Júlia e Teresa. Marco Borges e Gonçalo Waddington, entretanto já "expulsos", e Bruno Nogueira estão como peixe na água. E até a inclusão de Luciana Abreu, o palhaço Batatinha ou outras figuras decorativas, faz parte da tradição. Temos, pois, uma boa ideia bem executada. Não é coisa pouca...

28 de maio de 2011

Fecho


Em fecho, esta noite, mais uma crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias.

O jogo do mercado

1. A caminho de 5 de Junho, há dois combates para acompanhar por estes dias: o combate propriamente dito entre os que andam na estrada à cata de votos, e o duelo em que RTP, SIC e TVI se envolveram nesta batalha informativa.

A SIC é, nesse aspecto, a mais serena. Usa da sua experiência, da rotina de procedimentos em eleições anteriores, para fazer o seu trabalho, revelando uma máquina bem oleada e aquele olhar "à SIC" tão característico da informação de Carnaxide. RTP e TVI envolveram-se num claro mano-a-mano. Para marcarem posições, para afirmarem as suas novas lideranças, para mostrarem trabalho.

As conversas intimistas de Judite Sousa (já agora, pelas alminhas, ninguém na TVI consegue, de uma vez por todas, perceber que a directora não tem "de" no nome?...) e de Fátima Campos Ferreira com os candidatos, on the road, são apenas mais um sinal de um certo mimetismo. A TVI sabe que tem de ganhar crédito na informação. E está a fazê-lo. A melhor forma de o conseguir é olhar para a RTP e suspirar... "quando for grande, quero ser como tu!"

2. A notícia foi avançada pelo DN há mais de um mês e voltou esta semana a ser repescada por um diário. A TVI vai deixar de produzir três novelas para a noite, abdicando do terceiro segmento horário (o das 23.30). Em contrapartida, vai investir em minisséries e telefilmes, na linha do que já fez com Casos de Vida, como conta hoje o DN. A TVI explica que vai diversificar a produção de ficção, dar outro tipo de motivações aos autores e actores, aumentar a variedade temática ao dispôr do público. É tudo muito bonito, claro, mas a verdadeira razão para esta revolução no horário nobre, é o dinheiro. É que sai caro fazer uma novela para 600 mil espectadores. É o mercado, é o que é...

27 de maio de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta quinta-feira com a habitual crónica de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.

Novelas e estratégias

1. Já se estreou há mais de um mês, com resultados na linha das suas antecessoras, mas só agora consegui ver um episódio de Araguaia, a novela da Globo que a SIC exibe depois das onze da noite. Terça-feira, quando liguei a televisão, a primeira coisa que me prendeu foi a música. Sertaneja, intensa, calorosa. Os brasileiros sabem bem fazer músicas redondas, que entram no ouvido, e aplicá-las, depois, à televisão. A seguir à música fiquei preso à fotografia. As imagens aéreas de praia, com um longo mar e um areal convidativo a abraçarem um casal de namorados é sempre eficaz para os corações mais românticos. Araguaia é uma novela sensual, muito diferente da sensaborona Passione que a SIC foi obrigada a passar até há um mês. As audiências nem são muito diferentes, mas aquela era gelo, esta é brasa.

Bem se sabe que o tempo não está para novelas brasileiras, mas, sendo uma novela rural, Araguaia cumpre melhor o seu papel no final do prime time da SIC, travando o êxodo de público para os canais temáticos por subscrição. É que de crime, tiros, corrupção e histórias urbanas está o cabo cheio...

2. Quem trabalha nas televisões privadas sabe que o jornal das 20.00 é um harmónio: estica ou encolhe consoante as necessidades. A perder força no horário nobre há duas semanas, a TVI sabe que as suas novelas, que têm demonstrado uma surpreendente debilidade competitiva nos últimos tempos, têm de entrar em cena no break da concorrência. Terça-feira, a SIC atrasou-se no jogo. E perdeu-o. Deixou Remédio Santo à solta durante mais de dez minutos. E quando lançou Peso Pesado já era tarde. O rolo compressor da TVI já estava em marcha. E até Laços de Sangue, desta vez, não fez milagres...

26 de maio de 2011

Fecho


Fechamos esta quarta-feira com a habitual crónica de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Uma estreia paupérrima

1. E, no entanto, a pornografia gratuita está muito longe de ser o principal problema de Spartacus (Fox). Da intriga aos diálogos, passando pelas actuações e pela própria realização - nada funciona, tornando provavelmente justo dizer-se que há muito tempo uma grande estreia não se revelava uma tal decepção. Bem vistas as coisas, Spartacus não passa de uma espécie de cruzamento entre a Playboy TV e Conan, o Bárbaro. É soft porn fundida com testosterona - e mais nada. Os diálogos revelam-se de um esquematismo atroz. Os actores, para além de absolutamente desprovidos de talento, são de uma beleza tão óbvia como vulgar. O jogo entre o tom introspectivo à Gladiador e a estética cartoonística à 300 não resulta de todo - e, no meio disto tudo, a opção por uma história mil vezes contada não teria nunca forma de segurar-se. É um desperdício de dinheiro, de gente e de atenções, no fundo. A Fox tem uma responsabilidade. Como é que vamos acreditar nela da próxima que nos prometer uma "estreia da década"?

2. Grande iniciativa de comunicação, e ao mesmo tempo grande iniciativa de marketing, a aposta de Marcelo Rebelo de Sousa numa aplicação para iPad com os vídeos dos seus comentários na TVI. No final, haverá meia dúzia de pessoas a vê-lo através do tablet . Mas o sound bite da notícia há-de perdurar - e com ele tanto ganha o próprio Marcelo como ganha a disseminação daquela tecnologia em Portugal.

3. É impressão minha ou a forma como as coisas estão a decorrer no Tribunal de Oeiras, onde o ex-pára-quedista Fernando Pereira foi queixar-se de plágio em 1ª Companhia (TVI), começa a encaminhar-se para uma sentença histórica?

25 de maio de 2011

Fecho



Em fecho, mais uma crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias.

Ficção para todos

1. Sagrada Família ainda nem começou (estreia--se amanhã na RTP1...) e eu já não dou nada por ela. Já sei o que vão dizer. Que isto é mesmo atitude de crítico, que fala sem saber, como é possível, blá-blá-blá, blá. Pois, acontece, porém, que perdi hoje uns minutos a ver as promoções da nova sitcom da televisão pública. E o que vi é mau. Sem ponta de graça. A meio caminho entre o clássico Gente Fina É Outra Coisa (que saudades de Amélia Rey Colaço!) e a moderníssima Família Mata, que se finou sem estrondo nem saudades no prime time da SIC.

Ainda ontem Joel Neto constatava aqui nestas linhas que "a TV portuguesa nunca conseguiu fazer uma sitcom de qualidade ou com um mínimo de graça". E perguntava: "Será desta?" A atentar nas promoções que vi, a resposta é não. Não será desta. Eu não sou tão radical como o Joel e acho que Portugal já produziu algumas comédias de situação interessantes, ou pelo menos potáveis.

A Sagrada Família, que tem a assinatura de Mafalda Mendes de Almeida, produtora do Contra Informação, até pode vir a arrancar aplausos tugas e audiências simpáticas para a RTP1. E até pode vir a revelar--se uma verdadeira obra-prima no conceito e na concretização. Se assim for, cá estarei para dar a mão à palmatória. Por enquanto, continuo a pensar que os contribuintes prefeririam ver o seu dinheiro aplicado noutros tipos de ficção. E nem têm de ser muito eruditos...

2. A SIC conseguiu na semana passada, entre segunda-feira e domingo, um feito notável: ultrapassar a TVI em horário nobre. De acordo com a Marktest, entre as 20.00 e as 24.00, a SIC registou 28,1%, contra 27,8 da TVI. É verdade que teve a final da Liga Europa, mas a ficção da TVI já não é a fortaleza inexpugnável de antigamente...

24 de maio de 2011

Fecho


Fechamos esta segunda-feira com uma crónica da autoria de Francisco Penim, retirada do Correio da Manhã.

Competição nobre

Que grande problema tem a TVI, estação sem director de programas, com o seu prime time! 

O desempenho do seu novo alinhamento de horário nobre está a permitir que a novela da SIC ‘Laços de Sangue’ cresça a olhos vistos. Nem a primeira semana de uma nova novela, ‘Remédio Santo’, valeu boas audiências à estação de Queluz de Baixo – 33,3% de share médio é, para o que a TVI está habituada, muito pouco. ‘Anjo Meu’, por seu lado, soçobra todos os dias perante ‘Laços de Sangue’ e nunca atingiu os 30% de share na passada semana. É uma boa oportunidade para a SIC subir a sua média com os conteúdos mais competitivos que tem neste momento em horário nobre.

23 de maio de 2011

Fecho


Em fecho, mais uma crónica de Joel Neto retirada do Diário de Notícias.


Estreias e Balanços

1. O leitmotiv é publicitário, ou pelo menos promocional - e os conteúdos não só são limitados, como são alvo de repetição tão exaustiva que se torna extenuante. E, no entanto, Fora da Box, a nova série do chamado "canal 54 do Meo" (o canal de auto-promoção do dito, no fundo), com os Gato Fedorento e Rui Unas nos principais papéis, chega a ter graça. Talvez seja das saudades. Por outro lado, parte do futuro será assim, com as marcas explorando, mas também subsidiando, os mais diversos formatos. Veremos no que isto tudo dá. Para já, são apenas passinhos de bebé.

2. "Passinhos de bebé" parece-me também a expressão ideal para descrever o que representa MTV VJ Blog Live Streaming, o programa que a MTV lançou no FaceBook. Para já, uma observação importante: perante a inovação da plataforma, a MTV Portugal optou por manter o formato o mais conservador possível. Os projectos de sucesso são sempre assim: com um pé na ilusão e outro na realidade. Esperemos pela maturação do formato.

3. Spartacus (Fox) tem claramente uma dimensão pornográfica. Os media vêm resistindo à palavra, mas ei-la aqui: é de pornografia, entre outras coisas, que falamos. E daí? Não está ela também na ficção nacional, na publicidade, mesmo no horário nobre?

4. House M.D. sem Lisa Edelstein não é House M.D. House M.D. sem Lisa Edelstein será uma série a viver para além do seu próprio tempo. É preciso saber quando parar. Por muito que nos custe, o mais sensato é acabar aqui: no fim da sétima temporada.

5. A TV portuguesa nunca conseguiu fazer uma sitcom de qualidade, ou sequer com um mínimo de graça. Será agora, com Família Sagrada? A conferir, a partir de quarta--feira, na RTP1.