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31 de maio de 2011

Fecho


Boa noite. Fechamos esta segunda-feira com a habitual crónica de Nuno Azinheira retirada do Diário de Notícias.

Assobiar para o ar

Os responsáveis da TVI bem podem dizer que estão satisfeitos com as audiências da sua ficção. É conversa para jornalista, claro. Não é possível que quem manda na estação não esteja preocupado com a surpreendente e crescente instabilidade da outrora inexpugnável força do canal, que tinha na ficção o seu maior trunfo. A TVI montou a sua hegemonia na última década à custa da sua indústria de novelas. Uma a seguir à outra, sem grande irregularidade, naquilo que foi chamado várias vezes como rolo compressor. Indepen- dentemente da qualidade da história, independentemente da categoria do elenco, já se sabia que qualquer novela da TVI que estreasse... arriscava-se a ganhar.

Os tempos mudaram. Ainda sábado, a estreia de O Amor é um Sonho, uma minissérie de quatro episódios interpretada por Sara Prata e José Carlos Pereira, não foi além dos 26,9% de quota de mercado, correspondentes a 668 mil espectadores. Valores muito fracos para qualquer estreia na TVI e substancialmente abaixo dos 800 mil portugueses que assistiram ao episódio do dia de Laços de Sangue na SIC (32,9% de quota de mercado).

A noite já tinha começado mal, aliás. Anjo Meu, a novela de época de Maria João Mira, que tem Alexandra Lencastre como protagonista, transmitida às 21.30, ou seja, no melhor horário do prime time, não fez mais do que 870 mil espectadores, enquanto Peso Pesado, à mesma hora, chegava quase a um milhão de pessoas.

Dir-se-á que não há nada de anormal nisto tudo: em regime concorrencial, um contendor só joga o que o outro deixa. É verdade, mas o que é verdadeiramente novo neste duelo é que finalmente a TVI não está a jogar sozinha. Isso faz toda a diferença e é impossível encolher os ombros e assobiar para o ar.

31 de março de 2011

Falar Televisão


A televisão pós-moderna

Muito se tem visto ao longo dos últimos anos em torno da televisão nacional. Vai já longe o tempo em que as famílias se reuniam em volta da televisão para ver o Festival da Canção ou acompanhar A Volta à França em Bicicleta. A televisão evoluiu em conjunto com uma sociedade que se apresenta cada vez mais exigente e onde a guerra das audiência leva a melhor. A questão que se impõe é, onde é que tudo isto vai culminar? Para onde nos dirigimos? Até onde seremos capazes de ir para aparecer no top dos dados audiométricos? 


A grande aposta do momento divide-se em dois potenciais produtos: ficção e reality-show. Ainda que este último tenha vindo a ganhar terreno, a ficção continua a ser a grande aposta audiométrica, já que o público parece não aborrecer-se com as sucessivas produções que têm vindo a ser feitas. Mas inovar é preciso, porque o público nunca está satisfeito, e é por isso que surgem novos enredos, com temáticas mais alargadas (para lá do rotineiro romance que culmina num final feliz) e com novas técnicas de produção. Surgem as séries, que em Portugal parecem estar ainda numa fase primordial, com a aposta em minisséries que têm trazido pouco sucesso face à habitual telenovela. Mas a aposta continuará e como em tudo na vida, o "povo" é quem mais ordena, e quando o "povo", que aqui se nomeia enquanto público, decidir que é o bastante, tudo perde efeito.

O reality-show aparece em Portugal pela primeira vez ao virar do século com Big Brother, na TVI. Uma autêntica revolução, diria. Ninguém se atrevia a não tomar conhecimento das novas zangas, dos novos atritos, do resumo do dia daquelas que se tornaram "estrelas à força". Estava criado o novo produto do século em Portugal, o reality-show! Outros se seguiram e o sucesso manteve-se, inovou-se com a ideia de colocar famosos em situações menos confortantes e chegamos aos dias de hoje, em que mais uma vez se aposta no mesmo com um pedacito de inovação. Gera-se agora o conceito de docu-reality, um programa com todo o fundamento de um qualquer reality-show, em que um conjunto de pessoas é forçado a viver situações que não lhes são comuns, ao qual se alia uma vertente documental, que pretende para além de entreter, educar! 




O futuro está em aberto e criatividade é o que não parece faltar ao ser humano, que se apresenta como um ser nunca saciado e sempre com vontade de mais e mais, não existindo qualquer limite para este desejo incontrolável. E na televisão? Até que ponto chegaremos? Até onde serão ultrapassados os valores outrora defendidos?


O que acha? Qual é a sua perspectiva da televisão pós-moderna?

24 de março de 2011

Plural procura actores!


A maior produtora de ficção nacional está à caça do próximo talento português. Com cursos de representação abertos a qualquer jovem que goste de representar, a Plural está neste momento a formar cerca de 90 alunos. Segundo Paulo Ferreira, o coordenador, a aprendizagem que é proporcionada aos participantes é diferente daquela que é dada no Conservatório: "O Conservatório resume-se a teatro e os actores saem sem saber trabalhar em televisão. Nós aqui passamos o nosso know-how e também é importante para irmos descobrindo talentos que nos permitem 'reciclar' os nossos elencos".



Intitulado "Acting,Singing and Dancing", o curso permite aos alunos exprimentar diferentes áreas, tal como demonstra o referido nome. Vítor Fonseca é o professor de dança, e garante que procura transmitir o melhor que sabe para os que o seguem. "Descobrem-se verdadeiros talentos. Os 'Morangos' são uma prova viva disso. Muita gente que passou por lá está a fazer novelas. Também temos casos de alunos destes workshops que já estão a trabalhar na Plural", assegurou.



Este curso é uma verdadeira porta aberta para os alunos, que muitas vezes acabam por ser convidados a trabalhar nas produções da estação de Queluz de Baixo!



Quiosque: TV Mais

20 de março de 2011

O Protagonista

Boa noite! Na semana passada passada Júlia Pinheiro dava a cara por esta rubrica, com a estreia do seu novo programa "Querida Júlia". Passados sete dias, chega a vez de destacar outra estreia! "Anjo Meu" entra em antena daqui a cerca de uma hora e quinze minutos, e os portugueses já estão sintonizados nesta produção. Ela é "O Protagonista" desta semana!


Numa altura em que a ficção continua a ser uma das apostas de primeira linha das estações televisivas nacionais, a TVI estreia hoje mais um projecto nesta área. "Anjo Meu" segue o passado de "Conta-me Como Foi", série da RTP1, e promete agarrar os telespectadores aos ecrãs desde o primeiro minuto. Com uma história forte, e um elenco de luxo, a nova telenovela do canal da Media Capital anseia pelos lugares cimeiros de audiência. No entanto, depois de "Sedução" ter sido relegada para o horário das 23h00, coloca-se a seguinte questão: "E se 'Anjo Meu' seguir o mesmo caminho?".
Não pense que estou a ser pessimista, tenho perfeita noção do potencial das produções da estação de Queluz de Baixo, porém é necessário pensar em todos os possíveis destinos desta novela. Apesar de "Sedução" ser da autoria de Rui Vilhena, significando esta realidade que o seu público é diferente daquele que seguia "Doce Fugitiva" ou "Deixa Que Te Leve", penso que esta justificação não é suficiente para a baixa audiência deste projecto.

Sinceramente, duvido que "Anjo Meu" não alcance sucesso imediato na grelha de programação da TVI, mesmo sendo estreada a um domingo, o que por si é sinónimo de risco. Em fim-de-semana de futebol, a única vantagem está relacionada com o facto de o Sport Lisboa e Benfica apenas entrar em campo na segunda-feira.

Por outro lado, será que os portugueses irão impor alguma resistência à aposta no passado de "Anjo Meu"? Numa altura em que vivemos numa era de "fast-food cultural", até que ponto os telespectadores estarão dispostos a reviver os anos 80? Apesar deste ser apenas um cenário, e de a história central ser apelativa, com assuntos de política, amor e emigração, é necessário colocar esta questão.

Alexandra Lencastre é talvez a cabeça de cartaz deste projecto aliciante. Na pele de Joana Rita Saraiva, uma revolucionária que viu a sua vida dar uma reviravolta, os portugueses poderão contar com uma vontade enorme de vencer na vida, mas também de provar que as mulheres, mesmo nos anos 80, conseguiam chegar longe! Será na disputa às eleições para a Câmara Municipal que medirá força com os seus adversários e captará a atenção dos seus apoaintes! Para além da sua garra, será vísivel um ambiente de comédia na interpretação desta personagem por Alexandra Lencastre.
Para além dela, poderia referenciar muitos actores, tais como João Reis, um conservador de primeira, Pedro Teixeira e Sara Matos, que irão viver um amor que de certo apaixonará os telespectadores da TVI, Paulo Pires, Luís Gaspar ou Manuela Couto.


Assim, e ao ler não só o enredo deste "Anjo Meu" como a história da maioria das personagens, só tenho a dizer que a estação de Queluz de Baixo se prepara para lançar um novo sucesso na ficção. Os ingredientes estão lá e, em princípio, os telespectadores também. Não vou referir a concorrência, pois esta nova novela irá concorrer com uma reportagem e uma série que, por mais interesse que tenham, não deverão conseguir chamar a atenção dos portugueses habituados a não perder a estreia de um novo projecto de ficção. É a realidade do nosso país, e a ela ninguém pode fugir, nem mesmo as estações de televisão.

Assim, e apesar deste destino quase certo, resta dizer que a palavra final cabe sempre ao telespectadores, e não só! O sucesso desta estreia dependerá muito do consumo televisivo do dia de hoje, algo que ao fim-de-semana tende a ser mais baixo. Amanhã, pelas 10h00, ficaremos a saber o veredicto final desta novela nos quadros de audiência da Marktest! Até la!



1 de março de 2011

"Anjo Meu" promete!


Com uma história que se passa nos anos 80, "Anjo Meu" promete surpreender os telespectadores com vários pormenores. Bem ao estilo de "Conta-me Como Foi", a nova novela da estação de Queluz de Baixo conta com uma equipa criativa responsável pelo design gráfico. Assim, adaptar os jornais, as revistas, as cautelas ou a publicidade à moda antiga será uma das apostas da TVI. "Lemos a sinopse e os episódios, vemos as características das personagens, o que é pretendido, e depois trabalha-se. Criámos quatro jornais, um deles é a Gazeta do Anjo, que é oriundo da Vila do Anjo. Fomos buscar letterings que se usavam nos anos 90 e adaptámos aos nossos jornais. Com as revistas foi a mesma coisa. Sabíamos o que era usado na altura, as imagens que existiam e adaptámos ao que nós precisamos. No largo temos um quiosque de jornais, o que faz com que tenhamos muito material da altura", explicou Thelma Jerusalém, produtora de arte.

Apesar de muitos não repararem em determinados aspectos de uma produção, nomeadamente ao nível do cenário, os mesmos foram trabalhados para se apresentarem ao público. A falta de atenção dos telespectadores acaba por deixar Cristina Matagueira, profissional da área do design gráfico, entristecida: "Acho que as pessoas não têm muito a noção do que fazemos. O trabalho do design gráfico acaba por ser muitas vezes ingrato e o espectador não tem muita noção do trabalho que isto leva".

De qualquer forma, e apesar de tal realidade, a colega de Thelma Jerusalém espera que os adereços usados na novela de Maria João Mira sejam assim um dos pontos fortes no próximo projecto de ficção da TVI!


Quiosque: TV 7 Dias

7 de fevereiro de 2011

"Anjo Meu" prepara-se para Nova Iorque


O elenco da nova novela da estação de Queluz de Baixo prepara-se para rumar a Nova Iorque, para gravar as cenas iniciais de "Anjo Meu". "Vamos gravar em alguns locais emblemáticos como Central Park. Os actores vão chegar dentro de dias", referiu o realizador Artur Ribeiro.
De referir que parte da equipa técnica já não se encontra em Portugal, estando a acertar os últimos pormenores das cenas que irão ser filmadas para a nova produção do canal da Media Capital.
De salientar por fim que Francisco Côrte-Real e Sara Matos são dois dos actores que irão embarcar no voo com destino a Nova Iorque.

Quiosque: Diário de Notícias

31 de dezembro de 2010

A estratégia na ficção de Carnaxide


A Notícias TV desta semana revela alguns pormenores sobre o plano que a SIC está a desenvolver em matéria de ficção. Segundo Luís Marques, os vários contratos de exclusividade que têm vindo a ser assinados são necessários na medida que no próximo ano serão duas as novelas portuguesas no ar: "No próximo ano vamos ter sempre ficção portuguesa, com novelas a gravar em simultâneo. E por isso precisamos de mais pessoas".
Já Nuno Santos, não deixa de lado o seu sentimento de felicidade por perceber que a equipa está finalmente a compor-se. Se, no passado, eram apenas cinco os exclusivos de Carnaxide, agora já são doze: "Nós tínhamos quatro ou cinco actores exclusivos, a TVI e a Plural têm 40 a 50 actores. O que nós estamos a fazer é trazer para a SIC actores que têm trabalhado connosco, mas que não tinha um vínculo com a estação, e a ir buscar ao mercado outros actores. Agora temos mais sete exclusivos".

De referir igualmente que será no mês de Março, altura em que deverá estrear a versão portuguesa do The Biggest Loser, que arrancarão as gravações da nova produção de Carnaxide. "Temos duas histórias na mão, será seguramente um texto forte. É uma novela portuguesa com actores portugueses, não se passa no Brasil", explicou.

Quiosque: Notícias TV

29 de dezembro de 2010

O Protagonista do Ano - Novembro


Num mês em que ocorreu a polémica expulsão de Vítor da Casa dos Segredos, o contrato entre a SIC e Manuel Cavaco foi assinado, os rumores da transferência de Manuela Moura Guedes para Carnaxide comentados, Meu Amor acabou por se sobressair a todos os acontecimentos televisivos de Novembro. A novela da estação de Queluz de Baixo trouxe para Portugal, pela primeira vez, um Emmy!


Foi a 23 de Novembro de 2010 que a TVI viu a sua constante aposta na ficção nacional recompensada. A vitória de um Emmy Internacional significou muita mais que a recepção de um troféu quando somos os melhores numa determinada prova. Simbolizou o povo português e, de certa forma, a cultura portuguesa. A novela da estação de Queluz de Baixo, protagonizada por Alexandra Lencastre, Margarida Marinho e Rita Pereira atingiu valores de audiência fantásticos, tendo despedido-se dos telespectadores com uns excelentes 18,8% de audiência média e 55,1% de share. Esta produção foi elogiada na altura por diferentes motivos, sendo um deles o elenco. Para além das três actrizes já referenciadas, Sofia Ribeiro foi outra das que se conseguiu sobressair numa equipa de luxo. Descoberta em Morangos com Açúcar, num papel que passaria despercebido, a nova estrela do canal da Media Capital deu um passo enorme na representação.


Meu Amor tinha de ser a novela vencedora. Desde que fiquei a par da sua nomeação, o que já é um enorme prestígio, não tive dúvidas que Portugal fosse o grande vencedor de tal prémio. Apesar de não ser telespectador das novelas da TVI, fiquei contente pelo facto da produção de António Barreira ter sido a vencedora no meio de uma concorrência forte. Depois de milhões e milhões de euros investidos na ficção, de vários contratos assinados com actores de renome, de filmagens nos quatro cantos do mundo, a estação de Queluz de Baixo não precisava de ganhar nada. Afinal o que interessa são as audiências certo? No entanto, depois de tantas críticas, com e sem razão, ao facto de a TVI não diversificar a sua grelha de programas, de produzir más novelas, de o elenco ser sempre o mesmo, a verdade é que o canal passou a ter na sua posse um troféu que prova precisamente o oposto, que em Portugal também se produzem boas novelas.

Sabendo que os telespectadores nacionais ficaram rendidos a tal vitória, os responsáveis de Queluz de Baixo quiseram partilhar o prémio com os seguidores de ficção portuguesa. Assim, foi emitido um especial conduzido por Cristina Ferreira sobre o Emmy Internacional. Resultados? Cristina Ferreira ascendeu ao horário nobre, da mesma forma que o especial atingiu o primeiro lugar nas audiências.

Portugal é um país de novelas. Críticas à parte, é esta a realidade. Se somos o Brasil a produzir este tipo de conteúdos? Não. No entanto, nada é impossível. Nesse sentido, mais vale investir em produtos com qualidade, e tentar melhora-los, do que lançar sempre as mesmas histórias, os mesmos pares românticos, as mesmas tentativas de representação do quotidiano dos telespectadores nacionais. E, nesse sentido, a TVI esteve de parabéns com Meu Amor.


5 de dezembro de 2010

O Protagonista


Se na semana passada se comentava nesta rubrica o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs nacionais e, mais concretamente, a Carnaxide, neste domingo O Protagonista permanece no terceiro canal. Desta vez, é a ficção que ocupa a cadeira central deste espaço!

Segundo as últimas notícias, e tendo por base uma crónica de Nuno Azinheira, já publicada no Televisão-Opinião, a SIC vai aumentar o seu investimento na ficção em cerca de 450%. Estando já a ser preparada a segunda telenovela em parceria com a TV Globo, o canal de Pinto Balsemão adiantou que o próximo ano irá ser de aposta numa área na qual o terceiro canal está a crescer. A contratação de novos actores, com contratos milionários, como André Nunes, Helena Laureano, Manuel Cavaco ou Maya Booth, espelha alguns indícios de uma aproximação à estratégia que a TVI tem assumido ao longo dos últimos dez anos. Por outro lado, a chegada de Patrícia Muller a Carnaxide parece demonstrar que o novo posto de Gabriela Sobral começa a dar frutos. A guionista, autora de vários sucessos, como Deixa Que Te Leve e Mar de Paixão, sente-se satisfeita com este novo desafio.


Questiono eu: que impactos terão estas contratações nos resultados diários de Carnaxide? Significam elas o quê? Na melhor das hipóteses, o canal terá como objectivo consolidar o seu horário nobre. Depois dos resultados razoáveis de Laços de Sangue, a direcção de Carnaxide percebeu que é possível a aproximação nas audiências às produções da TVI. Os números de Sedução acabaram por ditar tal sentença, verdade seja dita, porém, não será esta uma atitude precipitada?
Por outro lado, o que significa este largo investimento para os restantes conteúdos do canal? Menos meios para produzir entretenimento? Menos dinheiro para inovar os talk-shows? Menos hipóteses para colocar no ar séries internacionais? Repito: o que significa o referido aumento de 450%?


Poderei estar eu, um amante de entretenimento, de concursos televisivos, de talent-shows, de reality-shows, descansado? Será objectivo de Nuno Santos & Lda colocar ainda mais novelas no ar? Muito se critica a estação de Queluz de Baixo pela quantidade de ficção que exibe, no entanto, se formos fazer bem as contas, é a SIC o canal que mais novelas tem no ar.

Sinceramente, e apesar de considerar que esta aposta de Carnaxide possa ser certeira, tenho receio de que os objectivos até aqui traçados para com os telespectadores sejam desviados para ir de encontro a uma oferta já explorada. Porque não utilizar esses 450% para produzir uma série policial portuguesa, ou quem sabe, um remake de Médico de Família? É verdade que esse valor pode incluir um investimento neste tipo de produções. Porém, não acredito.
Vamos esperar para ver...

No entanto, de uma coisa não tenho dúvidas, não vale apostar e voltar atrás. A televisão é como a vida real: decisões e soluções têm sempre consequências para o futuro. Se são positivas ou negativas? No caso da SIC, só o ano de 2011 o dirá.

4 de dezembro de 2010

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí uma crónica da autoria de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Tudo em movimento

A notícia de que a SIC vai aumentar em quase 450% o seu investimento em telenovelas merece algumas reflexões. Por um lado, e consideradas igualmente as negociações entre a estação de Carnaxide e Manuela Moura Guedes para a contratação da antiga cara da informação da TVI, fica claro que a estação de Balsemão considera esgotadas as possibilidades de inverter o jogo das audiências com base numa proposta alternativa, cedendo em definitivo ao tradicional modelo de Queluz de Baixo.

Por outro, fica mais claro ainda que a televisão generalista em Portugal, como acontece por todo o mundo, se encurralou em definitivo num beco onde só cabem reality shows, concursos, telenovelas e programas de informação-espectáculo. Não é uma novidade: é a simples confirmação daquilo que há já algum tempo se previa. Decididamente, o futuro não passa por ali.

O futuro, já se sabe, passa pela televisão temática. E, no entanto, mesmo ela começa a encontrar os seus obstáculos nos novos canais distribuídos via Internet, determinados estes a afunilar os nichos (e fragmentando ainda mais a oferta e o público).

Só esta semana, ficámos a saber que Luís Filipe Borges, talvez o melhor dos cinco apresentadores do programa da RTP2 5 Para a Meia-Noite, vai lançar um novo talk show na web; que o site deste mesmo jornal que agora tem nas mãos vai começar a produzir debates transmitidos em directo; e que já operam no mercado luso empresas especializadas em gerir os blogues e as contas de Facebook de uma série de programas de televisão.

Para já, os três domínios (TV generalista, TV temática e Internet) vão dialogando. Mas o que acontecerá quando quem tem hoje oito ou nove anos tiver 14 ou 15 e ditar, enfim, as tendências?

30 de junho de 2010

Ficção brasileira elogiada por António Barreira


Desde que se soube que SIC e TV Globo fizeram uma parceria para produzir formatos de ficção que muita tinta tem corrido na imprensa.

Se, por um lado, da TVI surgem acusações de a concorrente se preparar para “abrasileirar” a ficção nacional, da estação de Carnaxide vem o desejo de superar a concorrência.


Não entrando em polémicas, o autor de Meu Amor elogiou esta semana, em entrevista à TV 7 Dias, um dos pontos-chave das telenovelas do país irmão, que muito gostava que existisse em Portugal.

Tudo foi dito, quando lhe perguntaram qual o motivo pelo qual escreveu vários finais para a sua mais recente produção: “Obviamente que faço vários finais por vossa causa”, revelou, referindo-se à imprensa, acrescentando depois: “Se fosse como na ficção brasileira, em que as cenas-chave são gravadas à tarde para serem exibidas à noite… Obviamente que aí vocês não iam ter hipóteses de furar o esquema.”

5 de junho de 2010

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí mais uma crónica da autoria de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias. Às 21:00, entra em linha a Audimetria Semana.

O Poder da Ficção

A ficção da TVI é um rolo compressor. Já não tem a mesma força, já revela algumas debilidades de vez em quando, já não é aquele muralha intransponível, mas continua a ser uma fortaleza e um porto seguro da estação em horário nobre.


A tradição vale tanto que, entre as 21.00 e as 24.45, as novelas vão terminando e estreando encadeadas umas nas outras, sem que o espectador se pareça importar. Ou seja, a estabilidade de grelha é tão grande, o público está tão habituado ao produto, que não há grandes flutuações.


Espírito Indomável arrancou segunda-feira, com 1,2 milhões de espectadores. É verdade que foi a estreia com menos audiência dos últimos dois anos, mas o público aumentou ao segundo e ao terceiro episódios. A nova novela não tem uma história muito diferente do que já foi visto (provavelmente, não há neste campo muito a inventar, já que o conceito de uma novela centra-se sempre na mesma lógica de narrativas), mas tem algumas bastante boas interpretações. E depois tem uma realidade que é próxima dos portugueses, com referências e gostos portugueses. Nesse aspecto, está nos antípodas da nova (e excelente) história da SIC: é que Passione trata de uma realidade que diz muito aos brasileiros, mas quase nada aos portugueses: a saga dos imigrantes italianos no Brasil.


É nesse gostinho português que a TVI ainda tem muito a ganhar. E é por isso que a SIC, sabendo isso, vai continuar a apostar em histórias capazes de vincar bem esta portugalidade, independentemente do seu acordo com a Globo.