17 de março de 2011

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí uma crónica da autoria de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.


Os meus botões


Volto a olhar para o "caso Homens da Luta", incluindo esta sua nova (e inesperada) inclinação para se levarem a sério, e vejo de repente fazer-se luz sobre uma suspeita que já tinha, mas ainda não conseguira sistematizar: os humoristas profissionais têm, regra geral, muito pouco sentido de humor. Aliás, isso parece-me agora tão claro que o mais provável é estar já mais do que fixado no cânone, humilhando-me a mim e à minha incultura.


E, porém, nunca é tarde para perceber algo verdadeiramente fundador na cultura pop ocidental, com expressão (percebo-o agora) no cinema, na música e, naturalmente, na televisão também.



Um humorista profissional, como a ficção já se esforçou por nos demonstrar, pode ser um verdadeiro escravo da obrigação de fazer rir, o que é de facto uma coisa muito pouco engraçada.


Entretanto, há a pequenez do País, no qual a snobeira é às vezes recurso suficiente para forjar ascendente sobre o próximo - e, perante tal subalternidade, um expediente de tão fácil acesso pode ser uma tentação.



Depois, há ainda a chamada deformação profissional. Conhecedores das técnicas, os humoristas profissionais são também muito mais dificilmente surpreendíveis, mesmo por si próprios.


Por um lado, rir um riso franco torna-se, para eles, quase impossível. Por outro, a autodepreciação, ela própria uma técnica humorística, há-de acabar por se transformar, por familiaridade, numa couraça. Num filtro.


Conheço uma série de humoristas profissionais. Em muitos casos, pareceu-me sempre que alguma coisa ali não batia certo.



Os Homens da Luta ajudaram-me a perceber, afinal, algo muito maior do que eles. Só por isso, já valeu a pena esta saga.


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