10 de março de 2010

Fecho

Boa noite. O Fecho de hoje incluí uma crónica da autoria de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.
Às 21:00, não perca mais uma edição do Cine-Opinião, e às 00:05, o Para lá das 24.


Línguas de perguntador


O que se espera de um perguntador é que não tenha medo de perguntar. Que saiba fazer as perguntas no momento certo, da forma adequada. Que respeite os silêncios, que não se acomode às respostas. Que volte à carga se não ficou satisfeito. Que volte a respeitar os silêncios e que permita ao espectador retirar respostas desse vazio. Fora do registo jornalístico (que é um eufemismo para substituir "entrevista séria", outro eufemismo, onde pontificam nomes como Judite Sousa, Sousa Tavares, Constança Cunha e Sá e tantos outros), há na televisão portuguesa quem faça isso com mestria: Daniel Oliveira. O seu Alta Definição, ao domingo na SIC, é um documento que merece aplauso. Independentemente da plástica ligeira do programa, assente numa montagem rápida e eficaz e numa linguagem visual de magazine, o programa é um exercício de estilo e, ao mesmo tempo, um momento de conversa e confissão. Já o havia sido com António Feio, por exemplo.


Voltou a sê-lo, esta semana, com Vítor de Sousa. Aqueles 31 minutos e 43 segundos, que estão disponíveis no YouTube, são um delicioso ponto de encontro entre um homem sem medo de perguntar e um homem que, nesta fase da sua vida, não tem medo de responder. "Bolas, você é bom, é mesmo muito bom. Olhe que eu nem disse isso no livro", ripostou- -lhe, a páginas tantas, Vítor de Sousa, quando Daniel Oliveira o questionava sobre a sua homossexualidade.


Num momento da nossa história comunicacional em que a questão da "devassa da vida privada" é tantas vezes levantada, Daniel Oliveira tem o mérito de fazer com que simples perguntas como "O que é que vê num homem?" ou "Está apaixonado?" não sejam uma tentativa de espreitar pela fechadura. São apenas reflexos da curiosidade de um bom perguntador.


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