19 de março de 2011

Episódio Seguinte






Boa Tarde! Um dia antes da estreia, o Espisódio Seguinte mostra-lhe tudo o que poderá ver no primeiro capítulo de Anjo Meu!


A noite de 25 de Abril de 1974 era clara, de luar. Na Herdade da Tamargueira, a família Rebelo da Cunha dá um jantar para outros lavradores ricos da zona e suas famílias. A mesa está posta com bastante requinte, Geraldo está sentado à cabeceira da mesa e Maria Luísa, sua esposa, na outra ponta. Eva, a filha dos dois também está sentada à mesa e Joana Rita, a governanta e amante de Geraldo, assegura-se que tudo corre bem. Rogério, meio-irmão de Geraldo, e Madalena sua mulher também estão presentes. A um canto está Afonso, pai de Geraldo, sentado numa cadeira de rodas, visivelmente debilitado. O ambiente é de festa.

Seguem todos para a sala. Enquanto a família Rebelo da Cunha e os convidados se vão sentando, no painel começam a ser projectadas imagens da família relativas à época do Estado Novo, contudo rapidamente as atenções se viram para o rádio, onde se ouve a música “Grândola Vila Morena”. O espanto é geral, Afonso fecha os olhos e deixa cair a cabeça.


No dia seguinte, a caminho da Vila do Anjo, Geraldo encontra Libório, que distribui o trabalho. Hermano, um dos trabalhadores mais reaccionários, protesta por não ter trabalho quando o patrão e a sua filha passam de charrete e tentam perceber o que se passa. Este queixa-se de não ter trabalho mas Geraldo não mostra o mínimo de preocupação, apenas Eva, que critica a frieza do pai.

Joana Rita recebe uma visita que a deixa radiante: Matias, o seu filho, que vivia com o pai em França. Depressa se desvanece a felicidade quando este a avisa que voltou para alistar-se nas forças armadas.

Meses depois…


Em Lisboa, Eva chega do Colégio e vê várias malas junto à porta. Geraldo diz à filha que terão de fugir de Lisboa o mais depressa possível. Bastante nervoso, queima alguns papéis que retirou do cofre. Ouve-se a campainha a tocar insistentemente. À porta, estão Matias, Vítor e Luís, três camaradas da revolução, com uma ordem de prisão para Geraldo.

Enquanto o pai se esconde na cave, Eva abre a porta e diz que este não se encontra em casa. Os três soldados empurram-na e entram para revistar a casa. Com o objectivo de proteger o pai, a rapariga pega numa arma e dispara sobre um dos soldados. Matias ordena que chamem uma ambulância, em vez de continuarem as buscas e prende Eva com o coração despedaçado.

Matias conduz o jipe, em silêncio, tenso. Ao seu lado, Eva, algemada, tem os olhos postos no infinito, ainda em choque. O rapaz pretende protegê-la, fazer alguma coisa que ponha fim ao sofrimento da sua amada. Aquele longo momento constrangedor é quebrado pelo som do intercomunicador, que faz com que o rapaz desperte e decida, sem pensar, soltar Eva. Esta desata a correr mas pára por instantes, os olhares cruzam-se e a rapariga segue-o com os olhos até Matias desaparecer.

Na sede da COPCON (Comando Operacional do Continente), o Capitão tenta perceber como é que Rebelo da Cunha e a sua filha conseguiram escapar. Vítor informa que o colega Matias os traiu e deixou escapar a rapariga, acrescentando que talvez se deva ao facto de pertencer a Vila do Anjo, a mesma terra de Geraldo. Matias perde a cabeça e dá um murro a Vítor. Contudo os seus esforços para salvar Eva são em vão, pois o capitão recebe uma chamada a dar conta do paradeiro dos dois e Matias é algemado.

Rogério, farto de viver na sombra e às custas do irmão, desliga o telefone com um peso enorme na consciência depois de o ter denunciado às autoridades.


Eva e Geraldo chegam finalmente ao Alentejo e contam a Maria Luísa que todas as empresas e bens foram nacionalizados e que perderam tudo. Os poucos amigos que ainda estão em Portugal foram presos. O clima é de tensão e insegurança.

Na vila, Hermano espicaça os trabalhadores da Herdade da Tamargueira e alguns populares, entre eles estão Sílvio, Inácia, Vitalino, Avelina, para se juntarem a ele e lutarem pelos seus direitos, ocupando as terras da Herdade. Há um coro de exclamações de apoio às palavras proferidas por Hermano.

Joana Rita informa o Visconde que os trabalhadores estão na Herdade e exigem falar com ele, pois querem ocupar as terras. Geraldo gela por instantes. Maria Luísa leva a mão à boca, num gemido abafado e agarra-se a Eva.

A rapariga recebe uma chamada de Matias a informar que o COPCON está a ir em direcção à Herdade para prender Geraldo. O patriarca dos Rebelo da Cunha sente-se perdido e decide fugir.

Joana Rita pergunta para onde vai a família, à qual Geraldo responde que vão para Espanha e que de lá vão para Nova Iorque. A empregada tem na mão uma mala de viagem e diz que irá com eles, contudo este diz-lhe que terá de ficar para tomar conta da casa até ele voltar. Joana Rita, que sempre apoiou o patrão e esteve sempre ao seu lado, sente-se traída e abandonada.

Geraldo pega no cofre com as jóias da família e pede-lhe que as guarde, reforçando que terá de esconder muito bem o cofre. Geraldo, Maria Luísa e Eva entram para o carro. Os trabalhadores rodeiam a viatura, abanando-o e batendo nos vidros.

O patriarca dos Rebelo da Cunha conduz, em direcção ao portão da Herdade, de olhos postos na estrada. Sem se aperceber, Geraldo atinge Hermano com o carro, deixando-o no chão inconsciente. Subitamente ouve-se um tiro, Geraldo olha para o lado e vê que Maria Luísa foi atingida por uma bala perdida.

Joana Rita vai ajudar o irmão que está no chão rodeado de sangue. Hermano geme de dor e abre os olhos. O irmão de empregada diz-lhe que foi o patrão que quis acabar com ele e atingiu-o com o carro. Joana Rita fica em choque. Populares e trabalhadores invadem a casa e iniciam o saque. A empregada envolve o cofre numa manta e guarda-o consigo. Enquanto enterra o cofre, com a ajuda de Avelina, quase cai na tentação de ficar com uma das jóias mas acaba por não o fazer.

Passado umas semanas, Matias volta à Herdade da Tamargueira derrotado. Já não pertence ao exército nem acredita na revolução. Joana Rita conta-lhe tudo o que se passou no dia em que Geraldo e a família fugiram. Matias revolta-se contra a mãe, por esta não ter ficado do lado da família Rebelo da Cunha. O jovem entra na biblioteca e repara no papel caído junto à secretária que tem a nova morada de Eva e Geraldo, em Nova Iorque, e decide escrever uma carta de amor à rapariga ocultando a sua verdadeira identidade.


Passados dez anos…

Decorre o ano de 1986, em pleno Alentejo, a Vila do Anjo está rendida aos pés de Joana Rita que tomou conta da Herdade e prepara-se para concorrer à presidência da câmara. A empregada passou a patroa, querendo ter tudo o que era do Visconde Geraldo, mas a sua ganância levou a que Matias se afastasse. Joana Rita conta agora com a ajuda de Zé Maria e Matilde para a ajudarem.


Uma coluna de fumo enorme mostra que a casa de Matias está a arder. Este fica em pânico e entra na casa a arder, pensando apenas nas cartas que trocou com Eva durante dez anos. Maria, afilhado de Joana Rita, fica preocupado e pensa nas palavras ameaçadoras da madrinha antes de sair: “Se o problema é a barraca, acaba-se com a barraca...”


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