2 de outubro de 2010

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí uma crónica da autoria de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.

Polémicas ao estilo RTP

Ainda é apenas um rumor, mas as reacções não se fizeram esperar. Sandra Felgueiras, que é bonita e eficaz, e António Esteves, que é bonito e uma força da natureza, estarão na calha para se tornarem nos novos pivôs do Jornal 2, da RTP2. Pois já está toda a Marechal Gomes da Costa em guerra surda - e, inevitavelmente, alguém já infiltrou, nas entrelinhas da resistência, a suspeita de que Sandra Felgueiras e António Esteves foram escolhidos pelo próprio Partido Socialista, em mais uma manobra para condicionar o funcionamento dos media públicos.


A história beneficia de precedentes válidos, mas é absurda. Que sempre houve, desde o início da RTP, influência governamental na marcha da estação, não vale a pena discutir. Que o PS gere de forma habilidosa a sua relação com a RTP, menos ainda.


E, no entanto, Sandra Felgueiras é apenas filha de uma antiga autarca socialista a quem o partido retirou confiança. E António Esteves é apenas marido de uma assessora do Ministério da Justiça. Até eu, que não voto PS há dez anos, tenho familiares, amigos e vizinhos de alguma forma ligados ao partido do Governo. Este país é um bidé - como evitá-lo?


Independentemente de Sandra Felgueiras e António Esteves, tudo não passa, mais uma vez, da exacerbação daquela que é a dimensão mais sombria da RTP: o seu "estatismo" (no pior sentido da palavra, se é que há um bom), incluindo as tradições das diuturnidades e da promoção por antiguidade (e, naturalmente, a resistência da estrutura sempre que o mérito represente um mínimo papel na rotina da empresa).


E o problema não é só que ainda não tenhamos saído daqui: é também que não haja sequer a mínima perspectiva de que algum dia saiamos.

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