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20 de maio de 2011

Falar Televisão



Sinais dos tempos

A semana que agora termina trouxe uma surpreendente mudança de tendência no que toca ao horário nobre da televisão generalista. A hegemonia audimétrica das telenovelas da TVI fraquejou de uma clara forma nos últimos dias, face à concorrência. Com o final de Espírito Indomável, a tripla de novelas que desde segunda-feira começou a ocupar o principal horário televisivo da TVI não conseguiu dar ‘conta do recado’ e quem aproveitou para ganhar um significativo terreno com tal situação foi Laços de Sangue, a novela concorrente da SIC.

Oito meses depois da sua estreia, a trama de Diana Chaves e Joana Santos, conseguiu finalmente obter os resultados que eram prometidos e aclamados pelos responsáveis da SIC aquando da sua apresentação e promoção, em Setembro. Ontem, a denominada “novela da nossa gente” conseguiu arrecadar o seu recorde em share, obtendo uma cota de mercado média situada nos 38,1 pontos percentuais. Valores que há muito não se viam no horário nobre de Carnaxide.

E face a estes últimos números é fácil concluir que a actual grelha de horário nobre da estação de Queluz de Baixo é das mais frágeis, senão a mais frágil, dos últimos anos da estação líder em Portugal, sendo Anjo Meu, sem dúvida alguma, o principal problema dessa mesma grelha.


Remédio Santo, por sua vez, parece querer inverter esta negra situação para a TVI já que, pelo menos enquanto é exibida, entrega de bandeja a liderança no horário áquela estação com números que honram o convento e arredam para um canto o Peso Pesado de Carnaxide.

No entanto, continua a ser preocupante como em tão pouco tempo, a estação de referência na ficção nacional, tenha estreado consecutivamente duas novelas que, de alguma forma, não caíram em graça do público: Sedução, uma novela de autor empurrada para o último horário, e Anjo Meu, uma novela de época que perde em concorrência directa com a novela da SIC.

12 de abril de 2011

TVI: 2 novelas + "Casa dos Segredos"


Será este o novo esquema do horário nobre da estação de Queluz de Baixo a partir de Setembro deste ano. Segundo a TV 7 Dias desta semana, e tal como o Televisão-Opinião já havia informado, o canal da Media Capital prepara-se para reduzir uma das novelas em horário nobre. Assim, e no lugar dela, estará a segunda edição da "Casa dos Segredos", reality-show emblemático da TVI.

Com os extras imediatamente a seguir ao "Jornal Nacional", e depois da última telenovela da noite, a estação de Queluz de Baixo prepara-se desta forma para reduzir o investimento na ficção nacional. A solução passa assim por apostar em mais miniséries, dando a conhecer aos telespectadores uma outra arte de produzir em Portugal!


Quiosque: TV 7 Dias

3 de março de 2011

Falar Televisão


Ficção Nacional: um produto de qualidade ou qualidade de audiências?

Passam já 29 anos desde o aparecimento da primeira telenovela portuguesa: Vila Faia. Com este primeiro grande sucesso (transmitido pela RTP, único canal existente à época) criado por Nicolau Breyner e Francisco Nicholson, nasceu também a vontade de trabalhar, o ínfimo desejo pela descoberta deste novo produto, estava a nascer a Ficção Nacional (em "oposição" à transmissão das telenovelas Brasileiras que eram já naquela altura um enormíssimo sucesso).

Desde aí, muitas foram as produções realizadas pela estação pública, ainda que de forma contida e num jeito de equilíbrio face a Vila Faia, isto é, face a tamanho sucesso obtido com a primeira telenovela portuguesa, a RTP procurou sempre manter a qualidade das suas produções, ainda que o sucesso não tenha sido estável em todas as produções.
Muitas foram as produções: Origens (1983); Chuva na Areia (1985); Passerelle (1988); Ricardina e Marta (1989); Banqueira do Povo (1993); Vidas de Sal (1996/7); Primeira novela luso-brasileira: Paixões Proibidas (2007), entre outras.

No entanto, o sucesso da Telenovela não passa pela estação pública, foi sem sombra de dúvida a segunda estação privada a ser criada, a Televisão Independente (TVI), actual vencedora do primeiro Emmy Internacional atribuído a Portugal com Meu Amor (2009), a grande "fábrica" das telenovelas de grande êxito, elevando o nível de qualidade da telenovela portuguesa (de tal modo que, actualmente não existe qualquer produção a nível de telenovela nacional produzida pela estação pública).

Foram muitos os êxitos da TVI, sendo que a primeira telenovela produzida pela estação (indo de encontro à concorrência) foi Telhados de Vidro (1993), no entanto, os grandes êxitos da estação e da telenovela em Portugal iniciam-se com o virar do século: Jardins Proibidos (2000/2001); Olhos de Água (2001); Filha do Mar (2001/2002); Anjo Selvagem (2001-2003); Saber Amar (2003); Mistura Fina (2004/2005); Ninguém Como Tu (2005); Tempo de Viver (2006); Fascínios (2007/2008); Deixa Que Te Leve (2009/2010); entre muitas, muitas outras.

A verdade é que na última década, a telenovela portuguesa sofreu uma evolução brilhante, tendo conquistado de dia para dia o público português, sendo hoje, este produto, constante líder de audiências.

E é aqui que nos debruçamos... Com um público tão fanático por telenovelas, o que será do futuro da televisão em Portugal? Haverá maneira de conquistar o público português com outro produto? Está já a novela a entrar num período de decadência?

Muitas são as opiniões, muitas são as teorias...
O que pensa você?

28 de janeiro de 2011

Desilusão em "Sedução"


A desilusão está estampada no rosto de Rui Vilhena. Ciente de que Sedução é uma boa novela, o autor está sentido com as opções que a estação de Queluz de Baixo tomou. Assim, Rui Vilhena considerou que chegou a altura de terminar o seu silêncio, e manifestar o desagrado que sente com a TVI: "Estive sempre calado porque achei que não me devia pronunciar. Não podia continuar em silêncio. Decidi falar agora, pela primeira vez, para defender o meu trabalho e todas as pessoas que estão envolvidas nele e que acreditam na novela".
O profissional do canal da Media Capital é directo: "A paciência do público tem limites e nós estamos a pagar agora a factura de andarmos constantemente a mudar o horário das novelas. A novela foi prejudicada por uma decisão precipitada". Sabendo que as suas novelas tendem a ser mais complexas, Rui Vilhena não considera que esse tenha sido o motivo pelo qual os telespectadores deixaram de visionar Sedução. "Na primeira semana a novela fez muito bem. Ao terceiro dia de emissão, a TVI decidiu mudar de horário. O que me foi dito é que a novela faria melhor num horário tardio. Eu não concordei. Mudar de horário ao fim de três ou quatro episódios quer significar alguma coisa, passa uma mensagem negativa cá para fora", explicou.

O mal-estar em Sedução estende-se assim a toda a produção e elenco. Isabel Medina, directora de autores da novela, confessa o seguinte: "O grande balde de água fria foi logo a primeira mudança, ou seja, quando a novela deixou de ser emitida em horário nobre e passou para as 23:00. Muito pouco tempo para fidelizar público. Houve precipitação por parte da TVI. Gostaríamos que a estação tivesse dado mais tempo a Sedução".

Quem também não ficou agradado com a decisão da estação de Queluz de Baixo foi João Perry. O actor demonstrou tristeza nas suas declarações à Notícias TV: "A desculpa que a TVI dá para atirar a novela para mais tarde é que a novela é elaborada de mais para um público popular. Dizem que não tem suficientes cenas de amor, que tem um contexto demasiado profundo".

Quiosque: Notícias TV

29 de dezembro de 2010

O Protagonista do Ano - Novembro


Num mês em que ocorreu a polémica expulsão de Vítor da Casa dos Segredos, o contrato entre a SIC e Manuel Cavaco foi assinado, os rumores da transferência de Manuela Moura Guedes para Carnaxide comentados, Meu Amor acabou por se sobressair a todos os acontecimentos televisivos de Novembro. A novela da estação de Queluz de Baixo trouxe para Portugal, pela primeira vez, um Emmy!


Foi a 23 de Novembro de 2010 que a TVI viu a sua constante aposta na ficção nacional recompensada. A vitória de um Emmy Internacional significou muita mais que a recepção de um troféu quando somos os melhores numa determinada prova. Simbolizou o povo português e, de certa forma, a cultura portuguesa. A novela da estação de Queluz de Baixo, protagonizada por Alexandra Lencastre, Margarida Marinho e Rita Pereira atingiu valores de audiência fantásticos, tendo despedido-se dos telespectadores com uns excelentes 18,8% de audiência média e 55,1% de share. Esta produção foi elogiada na altura por diferentes motivos, sendo um deles o elenco. Para além das três actrizes já referenciadas, Sofia Ribeiro foi outra das que se conseguiu sobressair numa equipa de luxo. Descoberta em Morangos com Açúcar, num papel que passaria despercebido, a nova estrela do canal da Media Capital deu um passo enorme na representação.


Meu Amor tinha de ser a novela vencedora. Desde que fiquei a par da sua nomeação, o que já é um enorme prestígio, não tive dúvidas que Portugal fosse o grande vencedor de tal prémio. Apesar de não ser telespectador das novelas da TVI, fiquei contente pelo facto da produção de António Barreira ter sido a vencedora no meio de uma concorrência forte. Depois de milhões e milhões de euros investidos na ficção, de vários contratos assinados com actores de renome, de filmagens nos quatro cantos do mundo, a estação de Queluz de Baixo não precisava de ganhar nada. Afinal o que interessa são as audiências certo? No entanto, depois de tantas críticas, com e sem razão, ao facto de a TVI não diversificar a sua grelha de programas, de produzir más novelas, de o elenco ser sempre o mesmo, a verdade é que o canal passou a ter na sua posse um troféu que prova precisamente o oposto, que em Portugal também se produzem boas novelas.

Sabendo que os telespectadores nacionais ficaram rendidos a tal vitória, os responsáveis de Queluz de Baixo quiseram partilhar o prémio com os seguidores de ficção portuguesa. Assim, foi emitido um especial conduzido por Cristina Ferreira sobre o Emmy Internacional. Resultados? Cristina Ferreira ascendeu ao horário nobre, da mesma forma que o especial atingiu o primeiro lugar nas audiências.

Portugal é um país de novelas. Críticas à parte, é esta a realidade. Se somos o Brasil a produzir este tipo de conteúdos? Não. No entanto, nada é impossível. Nesse sentido, mais vale investir em produtos com qualidade, e tentar melhora-los, do que lançar sempre as mesmas histórias, os mesmos pares românticos, as mesmas tentativas de representação do quotidiano dos telespectadores nacionais. E, nesse sentido, a TVI esteve de parabéns com Meu Amor.


5 de dezembro de 2010

O Protagonista


Se na semana passada se comentava nesta rubrica o regresso de Manuela Moura Guedes aos ecrãs nacionais e, mais concretamente, a Carnaxide, neste domingo O Protagonista permanece no terceiro canal. Desta vez, é a ficção que ocupa a cadeira central deste espaço!

Segundo as últimas notícias, e tendo por base uma crónica de Nuno Azinheira, já publicada no Televisão-Opinião, a SIC vai aumentar o seu investimento na ficção em cerca de 450%. Estando já a ser preparada a segunda telenovela em parceria com a TV Globo, o canal de Pinto Balsemão adiantou que o próximo ano irá ser de aposta numa área na qual o terceiro canal está a crescer. A contratação de novos actores, com contratos milionários, como André Nunes, Helena Laureano, Manuel Cavaco ou Maya Booth, espelha alguns indícios de uma aproximação à estratégia que a TVI tem assumido ao longo dos últimos dez anos. Por outro lado, a chegada de Patrícia Muller a Carnaxide parece demonstrar que o novo posto de Gabriela Sobral começa a dar frutos. A guionista, autora de vários sucessos, como Deixa Que Te Leve e Mar de Paixão, sente-se satisfeita com este novo desafio.


Questiono eu: que impactos terão estas contratações nos resultados diários de Carnaxide? Significam elas o quê? Na melhor das hipóteses, o canal terá como objectivo consolidar o seu horário nobre. Depois dos resultados razoáveis de Laços de Sangue, a direcção de Carnaxide percebeu que é possível a aproximação nas audiências às produções da TVI. Os números de Sedução acabaram por ditar tal sentença, verdade seja dita, porém, não será esta uma atitude precipitada?
Por outro lado, o que significa este largo investimento para os restantes conteúdos do canal? Menos meios para produzir entretenimento? Menos dinheiro para inovar os talk-shows? Menos hipóteses para colocar no ar séries internacionais? Repito: o que significa o referido aumento de 450%?


Poderei estar eu, um amante de entretenimento, de concursos televisivos, de talent-shows, de reality-shows, descansado? Será objectivo de Nuno Santos & Lda colocar ainda mais novelas no ar? Muito se critica a estação de Queluz de Baixo pela quantidade de ficção que exibe, no entanto, se formos fazer bem as contas, é a SIC o canal que mais novelas tem no ar.

Sinceramente, e apesar de considerar que esta aposta de Carnaxide possa ser certeira, tenho receio de que os objectivos até aqui traçados para com os telespectadores sejam desviados para ir de encontro a uma oferta já explorada. Porque não utilizar esses 450% para produzir uma série policial portuguesa, ou quem sabe, um remake de Médico de Família? É verdade que esse valor pode incluir um investimento neste tipo de produções. Porém, não acredito.
Vamos esperar para ver...

No entanto, de uma coisa não tenho dúvidas, não vale apostar e voltar atrás. A televisão é como a vida real: decisões e soluções têm sempre consequências para o futuro. Se são positivas ou negativas? No caso da SIC, só o ano de 2011 o dirá.

21 de julho de 2010

Para lá das 24


O Para lá das 24 desta noite debruça-se em números. Já é habitual termos em consideração os resultados dos programas quando elaboramos esta rubrica. Logo, a de hoje, não fugirá a essa estrutura.

Na última sexta-feira, as novelas brasileiras da SIC conseguiram resultados satisfatórios. Enquanto A Armadilha obteve 29,1% de share, Caras & Bocas chegou aos 27,1%, e Passione alcançou 23,7%. Boas notícias para Carnaxide. Apesar de as tardes e as manhãs estarem, mais uma vez, com a chamada "corda ao pescoço", as produções da Globo continuam a dar frutos, e a comprovar a todos que elas fazem falta à SIC. Por mais que digam o contrário, a verdade é esta.

Passione está a começar a "aquecer". Mesmo sendo exibida mais tarde, tal facto tem vindo a dar força à novela, permitindo a visualização da mesma a outros telespectadores. No Verão, é comum a hora de sono chegar mais tarde, e a direcção de programas da SIC sabe disso. E é por este motivo que Passione se vai tornando mais competitiva.
A Armadilha
está a continuar o percurso que tem vindo a construir. Apesar de, há algumas semanas, a novela brasileira ter ficado atrás de As Tardes da Júlia, nos últimos capítulos isso não tem acontecido.

Caras & Bocas surpreende. Mesmo que em termos de rating, não fique à frente de Morangos com Açúcar, em relação a O Preço Certo a diferença tem vindo a diminuir. Acresce o facto de o resultado da novela ser uma média de hora e meia, ainda por mais tendo em conta que às 18:30 existem menos pessoas a ver televisão que às 19:30.

Palavras para quê? É nestas alturas, nos momentos em que a estação de Carnaxide está mal, que se percebe o porquê de se continuar a apostar na parceria com a TV Globo. Eu acredito que estes resultado podem ainda subir mais..

11 de junho de 2010

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí uma crónica da autoria de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Notícias.
Às 21:00, Os Escolhidos entram em linha. Não perca!

Grande negócio

Na grelha diária dos canais portugueses, há neste momento 11 novelas. Três à hora de almoço (duas na RTP, uma na SIC), duas à tarde (uma na SIC e outra na TVI), cinco à noite (três na TVI e duas na SIC) e uma ao fim-de-semana (SIC, para lá das da TVI, que também passam ao sábado e domingo). Ninguém duvida que a programação televisiva em Portugal é ancorada, sobretudo nas privadas, neste género de ficção. Mas, pergunto eu, a quem cabe o direito de dizer que é de mais? Aos críticos? Ao público? São os espectadores que têm de responder à questão: e essa resposta é dada cabalmente todos os dias nas audiências.


A verdade é esta: há dois milhões e meio de pessoas em Portugal que seguem as novelas da TVI e da SIC. Gente que, todos os dias, se senta no sofá e vê uma, duas, três histórias. Todas seguidas. Dir-se-á que vêem "aquilo" porque é "aquilo" que lhes dão, como podiam ver concursos, talk shows ou teatro. Admito que, em tese, isso possa ser correcto, mas acho que desvalorizar a capacidade de escolha dos portugueses, numa altura em que o cabo está disseminado por todo o país, é passar-lhes um atestado de estupidez. Recuso-me a contribuir para esse papel.


Os portugueses gostam de novelas. Ponto. E é por isso que o balão não vai estoirar. Nem hoje, nem amanhã, nem, provavelmente, nos próximos 20 anos. Nenhum outro conteúdo de longa duração tem um rácio tão bom: grande audiência versus custo de produção por sessão. Ou seja, junta-se a fome com a vontade de comer. Bom para os espectadores, óptimo para os programadores.

24 de maio de 2010

O "Xico" e o "Kiki"


Eles são animais, e dão nas vistas em duas novelas de países diferentes.
São eles o Xico de Caras & Bocas e o Kiki de Mar de Paixão. A moda dos animais veio para ficar nas novelas, e parece estar a resultar. Os espectadores destas duas produções já ganharam carinho a estas duas "personagens" e consideram-nas até importantes para a história.

Se no Brasil, o macaco Xico está a fazer furor, em Portugal, o Kiki divide protagonismo com Paula Lobo Antunes. Neste último caso, o golfinho de Mar de Paixão não é real, pois é feito de plástico. Mesmo assim, não é por isso que este "espécie" não criou um espaço no coração dos portugueses.

Quiosque: TV Guia

28 de setembro de 2009

Frente a Frente


Boa noite. Seja bem-vindo à segunda edição do Frente a Frente. A partir de hoje esta rubrica passa a centrar-se apenas na defesa de um programa e não em referir também os seus contras. O duelo desta noite é entre as novelas nacionais e brasileiras. Vote na sua opinião preferida.


A aventura das novelas do Brasil já começou há muito. Em Portugal, a RTP1 foi a sua pioneira ("Gabriela, Cravo e Canela" e "Escrava Isaura", por exemplo) , mas foi na SIC que elas tiveram o devido protagonismo. No início de vida da estação de Carnaxide, as novelas brasileiras muito contribuíram para o seu crescimento.
Os seus resultados puseram a SIC na ribalta, tendo ajudado o canal a atingir shares próximos dos 50%.

As novelas brasileiras foram um marco da história televisiva em Portugal. Milhões e milhões de pessoas até há bem pouco tempo acompanhavam em massa as produções da terra de Vera Cruz. No entanto, nos últimos anos, temos assistido no nosso país a uma quebra de audiências nas novelas de origem brasileira.
Com o crescimento a olhos vistos da produção nacional, tornou-se visível a mudança de hábitos dos portugueses. A maior parte do público deslocou-se para a TVI, onde assistiu e continua a assistir a verdadeiros fenómenos de audiência.

No entanto, nunca é de desprezar a qualidade das novelas brasileiras. Acompanhei várias que me marcaram. "A Torre de Babel", "Terra Nostra", "Malhação", "New Wave" e "Laços de Família" foram algumas delas. Mas mais recentemente, também acompanhei "Páginas da Vida", "Cobras & Lagartos", "Paraíso Tropical" e "Beleza Pura".

No meu ver, a qualidade das novelas brasileiras é nata. As histórias de vida que nelas são retratadas, os personagens que nos ficam na cabeça, algumas expressões que não esquecemos, as paisagens maravilhosas que são mostradas, são
elementos de enorme prestígio das produções do Brasil.
No entanto, o facto de se estar constantemente a lançar novas novelas, muitas delas com argumentos parecidos, leva a
que as pessoas não fiquem a elas tão agarradas.
Isto acontece em Portugal, mas também no Brasil. Apesar da Globo ser a líder de audiências nas terras de Vera Cruz, já viveu melhores dias.

Por isso tenho esta opinião: às vezes para se ter qualidade, é preciso não existir tanta quantidade. As novelas brasileiras vão ser sempre um marco de televisão, mas pelo menos em Portugal, a SIC tem de mudar a estratégia que tem, ou então escolhe-las melhor.
É por isso que neste momento vemos a estação de Carnaxide a apostar na promoção de "Viver a Vida".
Não sei se vai ter grandes resultados, mas acredito que o primeiro episódio vai agarrar muitas pessoas ao ecrã. Mano
el Carlos é do melhor!


Quando se fala em telenovelas portuguesas, a nossa ideia vai sempre ter ao encontro da TVI. Afinal foi para os lados de Queluz de Baixo que se apostou forte em ficção nacional. Mas, antes disso, elas também existiram no canal público (o caso de “Vila Faia”) ou na SIC (“Ganância”, ”O Jogo”). Contudo foi efectivamente pela mão de José Eduardo Moniz que as telenovelas portuguesas entraram nas “bocas do povo”.

A “bomba” deu-se com “Jardins Proibidos” e desde aí, nunca mais parou, tendo a TVI somado sucessos atrás de sucessos. É notório o aumento de qualidade das produções, do elenco, das personagens e dos argumentos.

Há um progresso. A aposta em enredos mais populares, a descoberta de locais fascinantes, a expansão até outros países, culturas, formas de estar.. O uso de temas fortes, como a homossexualidade, as doenças terminais… tudo isto contribuí para aquilo que hoje fez, faz e fará parte do universo ficcional português. Quem não se lembra de “Todo o Tempo do Mundo”? De “Saber Amar”? De Fernanda Serrano a rapar o cabelo em “Queridas Feras”?

Se há produto que actualmente consegue (e faz) muitas vezes resultados superiores a jogos de futebol, ele é sem duvida alguma uma telenovela nacional. Telenovelas estas, que acabaram com a liderança das homónimas brasileiras. Talvez devido ao facto de se adequarem mais ao panorama nacional, de estarem mais ao encontro da realidade portuguesa. Perderão estes produtos de ficção o protagonismo? Não, não. Penso que cada vez mais alcançarão óptimos resultados, porque os portugueses estão fartos de “programas da carochinha”, e as telenovelas permitem que vejam a vida com esperança. Contudo, por vezes tornam-se um pouco saturantes e cansativas.

Mas é disto que o povo gosta, e é graças a ele que as telenovelas alcançaram o seu “estatuto” na televisão nacional.


PS - Aqui ficam os resultados do primeiro Frente a Frente:

Vida Nova, por Tiago Henriques - 66%
"As Tardes da Júlia" por Diogo Santos - 33%

Findada a enquete, damos início a outra. Vote na opinião que achou mais forte!