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4 de setembro de 2010

Fecho


Boa noite. O Fecho de hoje incluí mais uma crónica da autoria de Nuno Azinheira, retirada do Diário de Noticias.

Às 21:00, entra em linha a edição desta semana da Audimetria Semanal.

Não esquecer

1. Maria João Ruela provou, ao longo de todo o dia de ontem, que vale muito mais do que a sua cotação mediática poderá significar. A jornalista foi a escolha da SIC para as funções de pivô da SIC Notícias no Campus de Justiça, durante a leitura de sentença do processo de pedofilia Casa Pia. Acompanhada do espe-cialista da estação em Direito, Luís Filipe Carvalho, Maria João Ruela, que esteve no ar durante horas a fio, muitas delas consecu- tivas, demonstrou serenidade na condução da emissão; conhecimento de causa e preocupação em descodificar a linguagem jurídica, quase sempre hermética, em algo inteligível para o espectador. Muito boa escolha dos responsáveis da estação, ao optarem por uma mulher que, apesar dos anos de experiência que tem, é vista sempre como uma espécie de segunda escolha entre os pivôs da SIC. Uma injustiça, como ontem ficou à vista...

2. Dizer que a sentença do caso jurídico mais mediático de sempre absolve os jornalistas de todos os seus pecados ao longo dos últimos oito anos, é um disparate. O facto de o colectivo de juízes ter dado como provados crimes de todos os arguidos não significa que os fins tenham justificado todos os meios. E, apesar do tempo que passou, é bom não esquecer a algazarra, a desonestidade, o atropelo a todas as regras éticas e deontológicas do que foi dito, escrito e visto nos primeiros anos do processo. Ignorar essa realidade, enterrar a cabeça na areia e achar que fizemos escrupulosamente o nosso trabalho é o pior serviço que prestamos ao jornalismo.

7 de agosto de 2010

Fecho

Boa noite. Hoje em fecho trazemos-lhe mais uma crónica, da autoria de Joel Neto e retirada do Diário de Notícias.
A análise da Audimetria Semanal chega até si a partir das 21:00, aqui, no seu blogue de televisão. Até já!

O que vem aí
Temos estado mais ou menos a salvo daquilo que, nos EUA (por exemplo), a genericamente chamada cable TV tem de pior: os debates e as entrevistas "políticas" com recurso aos cidadãos populistas, truculentos, maniqueístas e cheios de ideias definitivas - uma série de canhões perdidos, enfim, que bastante ajudaram os canais codificados a roubar audiências às estações tradicionais. Mas não é provável que fiquemos a salvo deles durante muito mais. Perante o declínio da televisão generalista, tão inevitável como já em marcha, os canais de cabo hão-de proliferar também na área da "informação". E, se Manuela Moura Guedes conseguiu manter durante tanto tempo o seu Jornal Nacional - conseguindo, aliás, vitimizar-se após a extinção do mesmo -, o mais fácil de perceber é que há aí um público ávido de gritaria.

Pior. Nos EUA, a história deste Verão é a passagem de Christiane Amanpour para a ABC e a forma como ela vai gerindo This Week With Christiane Amanpour, o seu novo programa. Depois de 20 anos em que se destacou como uma das mais sóbrias e ponderadas correspondentes de guerra da CNN, Amanpour passou a dedicar-se à política interna americana - e as suas primeiras prestações revelaram uma jornalista especialmente histriónica, opiniosa e conspícua, sobretudo tendo em conta que o seu programa passa ao domingo, dia até aqui reservado a um jornalismo televisivo mais "suave" e "profundo". Aparentemente, trata-se de uma resposta da televisão comercial à proliferação dos canais de cabo (e à adesão dos espectadores a eles). E tem sido um estremeção. Aguardam-nos tempos muito duros. Estejamos atentos.

15 de março de 2010

Fecho

Boa noite. O Fecho de hoje leva até si uma crónica da autoria de Joel Neto, retirada do Diário de Notícias.
Às 21:00, não perca o Frente a Frente da semana, e às 00:05, o Para lá das 24.

Carregar pela boca

Todos os anos é assim: uns raiozinhos de sol, e logo as televisões desatam em reportagens sobre as dietas, os ginásios e as novas colecções de biquínis em que as senhoras vão querer entrar. Só este sábado, contei quatro peças, espalhadas por vários canais, a anunciar que a loucura do Verão começa a instalar-se. Na Páscoa, já se sabe, teremos as filas para sair de Lisboa. Nos feriados de Junho, as reportagens nas praias, com imagens dos primeiros mergulhos a sério. E em Agosto, claro, os apontamentos, as historietas e até os directos das festas algarvias, cheias de jet set e de vox pop.

Todos os anos é assim e, pelos vistos, sempre assim será. Em Janeiro são as resoluções de Ano Novo, em Março as férias de sonho, em Outubro o regresso às aulas, em Dezembro os balanços do ano - tudo como uma espécie de check list à base de reportagens prontas a usar, em que é só esticar o microfone ao povo, mudar as proposições ao texto do ano passado e deixar tudo na edição para o tipo de montagem fazer igual a sempre. E a pergunta inevitável não é apenas: "Onde está a criatividade?" É também: "Onde está a dimensão humana em que deve fundamentar-se o jornalismo, incluindo o inevitável pressuposto de que cada história é uma história?"

O mundo mudou muito. As redacções estão depauperadas, a agenda está cheia de conferências de imprensa a propósito da crise e da corrupção - e, ainda por cima, o desemprego, as falências e as misérias fazem aumentar os roubos e os homicídios. Mas a primeira obrigação de um jornalista é ter um olhar sobre o mundo. Ora, se o seu olhar permanece o mesmo de sempre, tendo o mundo mudado tanto, o que se pode dizer desse jornalista?


12 de fevereiro de 2010

Sol esgota


Depois de ontem ter sido noticiado que o tribunal cível tinha interposto uma providência cautelar ao semanário de sexta-feira, e de esta não ter tido efeito, esta manhã, e após duas horas, o Sol esgotou. A meio da tarde será lançada uma edição extra de cerca de 130 mil exemplares.
De referir que a edição de hoje do Sol, publica mais novidades sobre o processo Face Oculta, onde se incluem alegadas manipulações para controlar alguns meios de comunicação social.
Imagem: DN